Uma equipe de cientistas da Universidade de Southampton (Reino Unido) desenvolveu uma nova técnica para identificar pessoas por meio da orelha. A técnica, conhecida como “The Image Ray Transform” – técnica de transformação de raios em imagens permite scannar as orelhas, compará-las usando um banco de dados de formatos, e depois identificar a pessoa.
Os raios de luz da nova técnica podem realçar estruturas circulares e tubulares, tais como as bordas e curvas da parte superior da orelha – região conhecida como hélice. As orelhas têm um grande número de estruturas que possibilita obter um conjunto de medidas exclusivas de cada pessoa. Ao se identificar a forma elíptica da orelha, obtém-se uma base para definir a biometria do indivíduo. Isso porque os ouvidos possuem uma estrutura rica e estável, que é preservada do nascimento até a velhice – ao contrário da face, em que o envelhecimento fica mais visível com o passar dos anos (as rugas e sinais de expressão confundem o sistema de identificação).
As orelhas são formadas inteiramente no nascimento e nunca envelhecem, apenas mudam de tamanho, e crescem de maneira proporcional. Além disso, as orelhas / o ouvido permanece fixo, tendo como ponto fixo ao fundo a própria cabeça. Esta nova técnica tem índice de sucesso de 99,6% na identificação das pessoas, estando já a ser utilizada para vigilância e em sistemas de segurança.
Enfim, as nossas orelhas vão ser usadas como fonte adicional de prova e como sistema de reconhecimento – termos acesso a um determinado local ou sermos descobertos por termos entrado sem autorização. Está demais!
Em resumo, as nossas orelhas são bem mais importantes do que poderíamos imaginar – afinal não servem apenas para segurar os óculos, os aparelhos auditivos ou até para as trincarmos num encontro amoroso.
Reconhecimento Biométrico da Orelha: Análise de Fatores de Qualidade de Imagem
https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/3773/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o_Rui_Raposo.pdf
(Ponto 2.2.4.1, página 12)Visão Global. As orelhas são difíceis de descrever, porque não temos vocabulário para tal. Existem poucos adjetivos que possam ser aplicados às orelhas, como largas ou achatadas. Mesmo que pareça haver poucos meios para que o reconhecimento possibilite distinguir uma orelha das restantes, a sua estrutura é rica e única, e por isso podemos usá-la como fator biométrico para identicação passiva. Assim como não podemos armar com total certeza de que a nossa impressão digital é única, o mesmo se aplica à orelha. Em vez disso, é provável que o seja, dado que temos estudos que o provam, como os dois estudos de Iannarelli [Ian89], onde o primeiro compara cerca de 10,000 orelhas escolhidas de uma forma aleatória de uma amostra recolhida na Califórnia, e o segundo estudo mostra que ao examinar gémeos idênticos, onde características siológicas são conhecidas por serem semelhantes, a estrutura é consideravelmente diferente. Após a divulgação destes estudos, foi comprovado que a estrutura da orelha não era semelhante, especialmente na Concha e na área do lobe (nódulo). É do conhecimento geral que a estrutura da orelha não muda radicalmente ao longo do tempo. Estudos médicos mostram que o crescimento da orelha nos primeiros quatro meses após o nascimento, é proporcional. Se pensarmos que o crescimento da orelha é proporcional, a gravidade pode provocar no orelha um estiramento na direção vertical. Este estiramento é mais notório no lobe da orelha, onde medições feitas, mostram que essa mudança não é linear. É possível usar a orelha como fonte adicional de prova e como sistema de reconhecimento, por exemplo, como reconhecimento adicional num caixa multibanco, na qual poderia ser reconhecida a pessoa através da face e da orelha. O reconhecimento pode ser usado no acesso a um local seguro, assim como detetar, à posteriori, um acesso não autorizado.

