O interessante mundo das orelhas

Não tenho nada por aí além que possa ser considerado como fetiche ou “desvio”. Mas é certo que gosto ir acompanhando as tendências. No entanto, diga-se, cabe muita pouca gente na minha tribo. Ou melhor dizendo, sou eu que não me revejo em todas as tribos mais, ou menos, urbanas. Talvez eu seja uma pessoa chata, sem graça e sem mistério. Ou talvez não, já que insistem dizer que sou divertido e excelente companhia.

Muito recentemente, até porque me envolvi profissionalmente na análise de mercado dos aparelhos auditivos, começo a interessar-me e a ter uma fixação em orelhas. Esquisito?! Bem, na verdade isto chega a ser bastante interessante. Apanho-me a olhar para as orelhas das pessoas no supermercado, no cinema, no metro, na rua, nas esplanada e cafés, nas lojas…e vejo que há orelhas lindas, muito perfeitas, e outras nem tanto. E fico mais animado se consigo ver alguém a usar aparelho auditivo.

Tenho de me esforçar para ver o modelo e marca porque de facto os aparelhos são cada vez mais pequenos e discretos. Mas chego lá. No fundo, não deixo de sentir respeito e sobretudo uma forte empatia por essas pessoas. Sentiram que precisavam de ouvir melhor e não tiveram peneiras nem vaidades para evitarem usar os aparelhos auditivos. Faz de conta que são cotas com piercing. Sim, porque aquilo que noto mais é que a moda dos piercings, coisa normalíssima noutras culturas, está amplamente em uso – é cada argola de meter respeito…isto pra não falar de peçazinhas colocadas nos locais mais privados e secretos. Enfim, é gente corajosa e tá na sua tribo. Apesar destas manifestações exteriores de personalidade, nunca se ligou muito às orelhas que temos!

Mas elas são mesmo um mundo bem interessante. Por exemplo, na medicina chinesa e na acupunctura, estão definidos pontos na orelha que têm ligação aos órgãos do corpo e basta colocar a agulha no “ponto certo” para tratar algo que esteja mal a nível físico e emocional. Há gente que tenta a acupunctura para deixar de fumar e acabar com essa fixação no cigarro. Talvez tente um dia destes.

Um amigo meu detesta agulhas e diz-me que só se deixa picar por uma loira em “saltos agulha” – sei lá eu, isto é um fetiche dele! E ainda bem que não sou milionário. Assim ninguém me rapta para pedir resgate à família e me corta a orelha para servir de prova de que estou mesmo cativo.

A Máfia fez isto ao neto do milionário Getty – o avô era forreta e desconfiado e demorou a pagar os milhões. Então os raptores “toma lá a orelha do puto e vê lá se pagas”… E é famosa a história do pintor Van Gogh que teve um vipe e decepou ele mesmo uma orelha – a esquerda, eu acho. Uma atitude bem drástica e isso tudo porque, dizem as más línguas, se tinha engraçado com o Paul Gauguin e como aquilo não correu bem, castigou-se. Feitios! E no Reino Unido uma miúda fez cirurgia para ficar com as orelhas pontudas tal como os elfos que vemos nos filmes e ilustrações de livros. Ela disse ao repórter que tinha de fazer essa cirurgia porque sentia que tinha sido uma fada noutras reencarnações. Uma grande panca, mas é!

Lá em casa, a minha Mãe tem a mania de identificar a condição material de quem aparece na TV ou nas revistas pelo tamanho das orelhas que têm. Com orelhas grandes de contorno superior anguloso, é rico. Com orelhas pequenas é “coitadinho(a)”, que não vai longe na vida.  E terá razão em alguns casos, por exemplo aquele senhor que domina o negócio da cortiça e está forte no gasóleo. Quando puderem, olhem com atenção. Muitos exemplos. E até há mesmo muita malta traumatizada por terem sido gozados na escola, e em adultos, por terem orelhas de abano. Alcunhas tipo Dumbo e outras, eram normais. Veja-se o presidente de um clube de futebol que tem mais do que fazer do que aturar gracinhas dessas.

Portanto, com todo este palavreado já dá para ter uma ideia de como as suas orelhas, por uma razão ou outra, se tornam importantes e, sem dúvida, interessantes. Cuide de si!

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