Há anos que elas fogem do frio e vão aparecendo por cá, isso já sabemos. E o inverso também é verdade – há quem não se deixe ficar pelas almôndegas do IKEA e queira rumar aos países nórdicos seja à procura de experiências e oportunidades de vida seja apenas para conhecer os fiordes, passar uns dias no hotel de gelo ou ir à terra do Pai Natal.
Claro que, eles “os nórdicos”, têm muito mais para mostrar do que isso. Eu dou-me por muito satisfeito com um Volvo, com o bacalhau e umas garrafas de vodka. Essa mania, e as fantasias, com os países dos vikings começou cedo, ainda antes de eu ir para o liceu. Primeiro, foi a descoberta de uns filmes 8mm numa caixa, misturados dos filmes do Charlie Chaplin. Se estes eram para rir, os outros mostravam “verdadeiras lutas greco-romanas” para maiores de 18. Depois, em casa do vizinho italiano, encontrei uma coleção de revistas. E, ainda nessa época, apareceu um casal sueco com um filho da minha idade – as coisas que ele me contava não tinham mesmo nada a ver com as estórias da Pipi da Meias Altas.
Tá visto, eu tive mesmo de subir até lá. Meti-me à boleia e no Inter-rail. Foi muito bom, mas decidi não ficar. Às vezes pergunto-me como seria a minha vida se tivesse escolhido um desses países para morar. Talvez a minha enfermeira fosse hoje uma portuguesa acabadinha de chegar. Ou talvez eu fosse agora vizinho da Dagny Carlsson. Ela é uma sueca bastante interessante! Há muitas é certo, mas esta é mesmo especial. Para mim, ela é o máximo! Viúva, casa própria, dá aulas de computador a pessoas de idade e adora música e dançar. Ela é convidada para ir a programas de televisão, dá entrevistas na rádio, tem milhares de amigos e escreve um blogue. E usa aparelhos auditivos! Também pudera – ela já tem 105 anos (n.1912)!
É que isto da perda de audição começa a afetar-nos a partir dos sessenta, ou mais cedo. Para ela é naturalíssimo usar aparelhos auditivos. Acredito que seria muito bom para mim ter uma vizinha e amiga como ela, alguém assim com grande alegria em viver, muito curiosa, animadíssima e, como ela diz, sempre agradecida pela vida que tem tido. Acho que as tristezas do Fado não são com ela.
Nem comigo, apesar de ser um pouco neura, às vezes.


Parabéns mano! Muito obrigado